quinta-feira, 18 de março de 2010

Provence




Requinte Francês

A ensolarada região ao sul da França, banhada pelo mediterrâneo, une a elegante Côte d'Azur com os alpes franceses. As muitas cidades de Provence serviram de berço e abrigo a grandes pintores dos séculos 19 e 20, como Van Gogh, que ao conhecer Arles, teve um choque tamanha a profusão de cores da natureza. Já Aix-en-Provence viu crescer Paul Cézanne, que mais tarde diria: "Viva ao sol que produz tão bela luminosidade". Em Saint - Tropez, a casa do pintor Paul Signac era parada obrigatória de Henri Matisse(morto em Nice, 1954) e Francis Picabia. Nascido na Rússia, Marc Chagall se rendeu aos encantos de Nice. Henri Toulouse-Lautrec e o escultor Auguste Rodin também eram vistos por lá.

A região também é famosa pelos campos de lavanda e por produzir os melhores perfumes(na cidades de Grasse, centro internacional da perfumaria). A culinária provençal é outra boa herança, exportada para os menus dos melhores restaurantes. Mas não é só. O seu modo de vida nos séculos 17 e 18 resultou num estilo de decoração que alia nobreza e simplicidade. Ou seja, a melhor tradução para o que é de fato elegante.

Segundo a professora Sueli Cristina Silva, do curso de Design de Interiores do Senac (SP), foi a partir das curvas do rococó de Luís XV e, mais tarde, das formas retas do neo-clássico de Luiz XVI que os plebeus de Provence criaram seu estilo de viver: "Eles almejavam ter em suas casas os móveis da realeza, dourados, e tecidos como sedas e damascos", explica.

Para reproduzir a douração dos móveis da Corte, os camponeses pintavam os seus com o que tivessem a mão, como as tintas claras(mais baratas por empregarem menos pigmento), na maior parte das vezes branco, mas também a versão clara do rosa, azul, amarelo, verde e lavanda. Outros recebiam um verniz ou o decapê rústico para melhorar o aspecto da madeira, de baixa qualidade. como o decapê utiliza gesso com cola ou água, os móveis ganhavam um tom esbranquiçado e, ao serem lixados, adquiriam um falso dourado.

Nos lugares dos entalhes, apareciam florais e arabescos pintados à mão. Já os tecidos, longe das sedas, eram simples, com estampas bucólicas conhecidas como "Toile de juoy", ou com florais e xadrazes. Na falta desses, os camponeses empregavam a tradicional palhinha em poltronas, bancos e cadeiras.

Os lustres de ferro, por sua vez, eram muito simples, feitos pelos serralheiros locais, porém inspirados nos ricos modelos da Corte. Com o uso e o passar do tempo, a mobília ficava desgastada, porém era passada às gerações seguintes, sempre levando em conta o prazer de empregar toques de nobreza à própria moradia.

Essa simplicidade cheia de graça atravessou séculos e chegou aos dias de hoje transformada em um estilo requitando: o Provençal. Para a professora do Senac, a partir dele surgiu o country inglês e, deste, o americano, todos leves, claros e delicados. "Mas não o rústico brasileiro, que tem raízes próprias no nosso interior", explica.

No entanto, é o Provençal que vem dominando as vitrines de lojas de decoração ao redor do mundo e também aqui. Não é de se admirar, já que é um mobiliários que casa tão bem com o nosso país tropical. Decoração que é sucesso nas casas de praia e chega da mesma forma ao campo e aos centros urbanos. (Flash Casa)


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